O Colapso do Porto de Manzanillo: Uma Crise Que Abala a Cadeia Logística do México

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A logística no México enfrenta um de seus testes mais duros em anos. O Porto de Manzanillo, principal ponto de entrada e saída de mercadorias pela costa do Pacífico, atravessa uma crise sem precedentes que já supera as três semanas. O que começou como uma greve trabalhista se tornou um verdadeiro colapso operativo que paralisa uma parte fundamental dacadeia logísticado país, afetando diretamente o comércio internacional, a indústria nacional e a estabilidade de milhares de empresas.

O que está acontecendo no Porto de Manzanillo?

Em 12 de maio de 2025, trabalhadores aduaneiros iniciaram uma greve que durou até 16 de maio. Suas demandas não eram novas: demissões injustificadas, sobrecarga de trabalho, falta de pessoal e condições laborais inadequadas. Embora a paralisação tenha sido suspensa, os efeitos foram devastadores. Durante esses cinco dias, os contêineres começaram a se acumular sem controle nos pátios do porto, gerando um funil operativo que ainda não foi resolvido.

Atualmente, o tempo médio para a revisão de uma unidade supera as 72 horas. Isso significa que cada caminhão, cada contêiner que chega ao porto, passa dias inteiros esperando ser liberado. O resultado:uma paralisia quase total da operação logísticaem um dos portos mais importantes da América Latina.

Mais que uma greve: falhas estruturais e corrupção

Embora a greve tenha sido o detonador imediato, o certo é que o problema vai muito além. O que ficou descoberto é uma cadeia de falhas estruturais que já não podem ser ignoradas: falta de infraestrutura, processos ineficientes, escassa digitalização e supostas práticas de corrupção que complicam ainda mais o fluxo comercial.

Diferentes fontes do setor denunciaram que há trâmites duplicados, revisões arbitrárias e uma clara falta de coordenação entre as autoridades portuárias, aduaneiras e operadores logísticos. Esses gargalos não só atrasam as operações, mas também geram sobrecustos enormes que afetam toda acadeia logística.

O impacto econômico: milhões de dólares e centenas de empresas afetadas

Segundo estimativas da Associação de Indústrias Maquiladoras e Manufatureiras de Exportação (Index Occidente), as perdas econômicas já superam os150 milhões de dólares. A Câmara Nacional do Autotransporte de Carga (Canacar) advertiu que muitas empresas estão à beira do colapso, especialmente aquelas que dependem do comércio exterior para manter sua produção e abastecimento.

Miguel Ángel Martínez Millán, presidente da Canacar, não hesitou em qualificar a situação como uma ameaça sistêmica para a economia nacional. “O México não pode permitir que seu porto mais estratégico opere em condições de colapso”, declarou recentemente.

Manzanillo não é qualquer porto. É o principal nó logístico do Pacífico mexicano e um dos mais transitados da América Latina. Move mais de 40% da carga conteinerizada do país e conecta com mercados chave como Ásia, América do Sul e Estados Unidos. Sua paralisia afeta não só Colima, mas também Jalisco, Michoacán, Guanajuato e outros estados industriais que dependem do fluxo constante de insumos e mercadorias.

A cadeia logística em crise: efeitos em cascata

O efeito dominó já está em andamento. As mercadorias que não podem ser movidas de Manzanillo estão gerando escassez de insumos em plantas manufatureiras, atrasos nas entregas a clientes internacionais e uma congestão nas estradas que rodeiam o porto. Empresas transportadoras, operadores logísticos, importadores e exportadores estão vendo como seus tempos de entrega disparam e seus custos se multiplicam.

Acadeia logística, que já vinha sob pressão pelos altos custos do combustível, a inflação global e as tensões geopolíticas, encontra-se hoje em um de seus momentos mais frágeis.

O que diz o governo?

A presidente Claudia Sheinbaum reconheceu a gravidade da situação e chamou a encontrar um equilíbrio entre o controle fiscal e a eficiência logística. Em suas palavras, as alfândegas seguem sendo um dos pontos mais fracos do sistema e urge erradicar as práticas que estão freando o comércio.

No entanto, até o momento não foi anunciada uma solução concreta. A Canacar e outras organizações do setor solicitaram umamesa de criseurgente entre o governo federal, as autoridades aduaneiras, operadores portuários e representantes do setor privado. Não se trata de buscar culpados, mas de agir de forma imediata para evitar que a situação se prolongue ainda mais.

Que soluções o sistema logístico mexicano precisa?

Este colapso deve ser um chamado de atenção para todos. O Porto de Manzanillo não pode seguir operando com modelos de 20 anos atrás. Necessita-se de umareengenharia profundana gestão portuária, que inclua:

  • Investimentos urgentes em infraestrutura física e digital.

  • Profissionalização do pessoal e melhorias laborais reais.

  • Transparência nos processos de revisão e despacho.

  • Coordenação interinstitucional e eliminação de burocracia desnecessária.

  • Uma visão a longo prazo que integre todos os atores dacadeia logística.

A resiliência do sistema logístico mexicano está em jogo. E embora esta crise esteja causando perdas milionárias hoje, também representa uma oportunidade para repensar como queremos que funcione o comércio em nosso país durante os próximos anos.

Reconstruir a confiança na logística nacional

O colapso do Porto de Manzanillo não só coloca em xeque os operadores logísticos, mas também a imagem do México como um país competitivo e confiável para o comércio global. Se queremos fortalecer nossa posição como hub estratégico na América Latina, precisamos agir com decisão, transparência e visão.

Acadeia logísticamexicana merece mais que soluções temporárias. Merece um redesenho integral que coloque a eficiência, a justiça laboral e a inovação tecnológica no centro. O futuro do comércio exterior no México depende disso.

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